GPP em Revista


Entendendo o Campo de Públicas no Brasil: formação acadêmica e mercado de trabalho



Nos últimos 20 anos, uma das formações acadêmicas que cresce vertiginosamente no país é a de Administração/Gestão/Políticas Pública(s), que envolve os cursos de graduação (bacharelado e graduação tecnológica) e pós-graduação (mestrado profissional, mestrado acadêmico e doutorado) em Administração Pública, Gestão Pública, Gestão de Políticas Públicas, Políticas Públicas, Gestão Social, dentre outros correlatos. Considerando as transformações no papel e no funcionamento do Estado brasileiro com os desdobramentos da Constituição de 1988 e do processo de democratização, bem como diante da profissionalização – gradativa – da gestão pública federal e subnacional pelas reformas gerenciais e ampliação das políticas públicas no país, a formação acadêmica em tal área foi ressurgindo nas instituições de educação superior.

Observando esses novos ou renovados cursos superiores na área, percebe-se que a velha grade curricular adaptada da Administração de Empresas foi substituída por uma matriz curricular multi/interdisciplinar entre a Administração Pública e as Políticas Públicas, que objetiva a formação acadêmica de um profissional tecnopolítico. No âmbito da graduação, os dados do INEP/MEC indicam na atualidade para a oferta de cerca de 200 cursos superiores presenciais e na modalidade de educação à distância de Administração/Gestão/Políticas Pública(s) no país, com aproximadamente 50 mil alunos matriculados; 2/3 das vagas são oferecidas por universidades públicas, federais e estaduais, que em seus projetos de ampliação de vagas na década de 2000 consideraram a gestão pública como objeto de ensino e de pesquisa. Ademais, a aprovação das DCNs de Administração Pública em 2014 marcou a formalização do movimento Campo de Públicas no país, representado por entidades como a Associação Nacional de Ensino e Pesquisa do Campo de Públicas (ANEPCP), a Federação Nacional dos Estudantes do Campo de Públicas (FENECAP) e a Pro Pública Brasil – que representa os egressos/profissionais.

No sistema de pós-graduação nacional, os cursos de mestrado e doutorado em Administração/Gestão/Políticas Públicas(s) se diversificaram e são encontrados com essas denominações em sete áreas de avaliação da CAPES, a saber: Administração Pública e de Empresas, Ciência Política e Relações Internacionais, Sociologia, Economia, Serviço Social, Planejamento Urbano e Demografia, e Interdisciplinar. São, atualmente, em torno de 50 programas de pós-graduação stricto sensu no país. Na área de avaliação de Administração Pública e de Empresas da CAPES, em torno de 25 cursos de mestrado profissional, mestrado acadêmico e doutorado em Adm./Gestão Pública se integram pela Sociedade Brasileira de Administração Pública (SBAP).

Os egressos do Campo de Públicas, tanto dos cursos de graduação como dos programas de pós-graduação, têm ampla inserção/abrangência no mercado de trabalho nacional, visto que o conceito/aplicação da gestão pública e das políticas públicas no século XXI engloba o Estado, a iniciativa privada e as organizações sem fins lucrativos (ou terceiro setor) – ou seja, o chamado domínio público.

No âmbito do Poder Público, as oportunidades de trabalho têm aumentado com a implantação de carreiras de gestão governamental e de políticas públicas na União e em muitos estados, bem como a ocupação de cargos de livre-provimento nas prefeituras é uma realidade. No terceiro setor, as oportunidades estão nas ONGs, fundações e institutos empresariais, entidades paraestatais, partidos políticos, associações de classe, sindicatos etc. O número significativo dessas entidades no país, realizando importantes atividades de interesse público, formou um novo mercado de trabalho para o gestor público. Igualmente, o setor privado apresenta oportunidades para esse profissional. Além das ações de responsabilidade social desenvolvidas pelo empresariado, crescem as áreas/departamentos de relações governamentais e mercados públicos nas médias e grandes empresas que atuam em atividades que são reguladas pelo Estado (energia, transporte, telecomunicações, etc.) e que se dedicam à prestação de serviços públicos (concessões, PPPs e consultorias). Cita-se, ainda, a internacionalização da gestão pública com a formação de espaços supranacionais (ex.: blocos econômicos) e o aumento do papel dos organismos multilaterais (ex. ONU, Banco Mundial, FMI) nas políticas públicas, as quais constituem oportunidades de trabalho.

Finalizando, a tabela e figura demonstram, respectivamente, a expansão do Campo de Públicas no Brasil e a amplitude e diversidade do mercado de trabalho para os seus egressos – com 20 segmentos ocupacionais.



Autora: Carolina Paulino

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